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	<title>Calda de Amoras</title>
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	<description>Escritor de can&#231;&#245;es</description>
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		<title>De  Vir</title>
		<link>http://caldadeamoras.blog.terra.com.br/de_vir</link>
		<dc:date>18.06.07</dc:date>
		<dc:creator>srbazetti</dc:creator>
		<dc:subject></dc:subject>
		<description>De-Vir 
&#160;&#160;&#160;&#160; Todas as noites ela pedia um escrito para ele. Um escrito que falasse da sua pele. Um escrito que dissesse da sua intimidade. Um escrito para sempre, com todo amor. Um escrito plantado, incorporado. Um escrito feito das horas de seu De-vir. 
&#160;&#160;&#160;&#160; V&#225;rias vezes ensaiou aqueles ensaios. Nunca os concluiu. 
&#160;&#160;&#160;&#160; As palavras que iam saindo no papel n&#227;o compunham nem um resqu&#237;cio das horas que passavam debaixo dos len&#231;&#243;is. Para cada vir l&#225; estava ele ancioso para o pr&#243;ximo De-vir.</description>
	</item>
	<item rdf:about="http://caldadeamoras.blog.terra.com.br/perola">
		<title>P&#233;rola</title>
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		<dc:date>18.06.07</dc:date>
		<dc:creator>srbazetti</dc:creator>
		<dc:subject></dc:subject>
		<description>P&#233;rola. 
&#160;&#160;&#160;&#160; A forma&#231;&#227;o das p&#233;rolas se d&#225; a partir do contato de algum material estranho que invade o seu organismo. O amor tem se dado assim dentro de n&#243;s. 
&#160;&#160;&#160;&#160; Quando nos damos por conta aquele gr&#227;o de areia se p&#245;e a nos incomodar. Um incomodar cheio de prazer. De bobagens que v&#227;o saindo pela boca como as mais verdadeiras declara&#231;&#245;es. Bobagens que nos tornam fr&#225;geis, vulner&#225;veis, sedentos de uma bebida que s&#243; aquele outro, nenhum outro, saciar&#225; a nossa sede. Porque o prazer num corpo em solid&#227;o ao iniciar &#233; o abismal. 
&#160;&#160;&#160;&#160; Mesmo que a luz se apague aquela claridade vai ficando ali, mesmo que os olhos se entreguem para essa morte tempor&#225;ria que &#233; o sono, o sonho mant&#233;m esse universo encantado ali. Mesmo que Descartes diga que n&#227;o, o sentir vai se instalando ali. 
&#160;&#160;&#160;&#160; A p&#233;rola vai se formando. Aquela riqueza que &#233; constru&#237;da de muita sutileza, de uma beleza vis&#237;vel e invis&#237;vel, de portas que falam e de outras que se calam. Uma hortel&#227;, um chocolate quente, um caf&#233; e uma janta. Uma janta muito simples de verduras, um p&#227;o muito singular como o &#225;rabe, um beijo muito doce. Ainda n&#227;o haveria de ter o sexo, s&#243; a forma mais primitiva de prazer que &#233; proteger e se sentir protegido. 
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; N&#227;o era necess&#225;rio nenhum enfeite, porque se fazia no sorriso, no gracejo, no pequeno dedo que caminha sobre os l&#225;bios. Queremos tantas confiss&#245;es. Quando as confiss&#245;es nunca se abrandam. Ficam brincando como luzes de farol num fazer e desfazer. Dever&#237;amos querer menos, assim quem sabe ter&#237;amos tempo para perceber mais. Angustia-me ver muito pouco com olhos t&#227;o perfeitos. Talvez seja uma ang&#250;stia coletiva. Seja a tua tamb&#233;m e dos outros que vir&#227;o para nos suceder. &#201; necess&#225;ria urgentemente uma alfabetiza&#231;&#227;o para o olhar. 
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; As p&#233;rolas de melhor qualidade encontram-se no Golfo P&#233;rsico, na &#205;ndia e Sri Lanka, na Austr&#225;lia e na Am&#233;rica Central e as p&#233;rolas cultivadas s&#227;o produzidas em larga escala no Jap&#227;o. Mas desta p&#233;rola que falo, nasce quando o chocolate vai de uma boca at&#233; a outra, quando &#233; poss&#237;vel que os cobertores caiam e mesmo assim o calor permane&#231;a. Essa p&#233;rola que me refiro &#233; a que se inscreve no corpo, nos corpos. Na felicidade que pode ser produzida em n&#243;s apenas produzindo felicidade no outro. N&#227;o requer mais explica&#231;&#227;o da p&#233;rola que me refiro, mas insisto que essa p&#233;rola n&#227;o se torna cara pela sua qualidade, mas pelos enormes sacrif&#237;cios que s&#227;o infligidos entre o caminho que h&#225; em se ir abandonando o medo para se viver &#224; veracidade do contido. 
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; A p&#233;rola pode ser usada em &#34;po&#231;&#245;es&#34; do amor e os s&#233;culos trar&#227;o para o presente o passado que estava dormindo. Porque nada na p&#233;rola ficar&#225; vulgar. A inoc&#234;ncia protege a pureza e n&#227;o &#233; o que se faz que nos torna prosaicos, mas sim o agir sem natureza. 
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Creme, dourada, verde, azul e negra. 
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Nada mais naquela pele. Tudo naquela cor que se despregui&#231;ava. Naquela mala que tantas vezes foi feita e desfeita. Naquele dia que namoraram e que mais uma vez namoraram e que quando pensavam ter cansado de namorar &#233; que pod&#237;am ver o quanto suas p&#233;rolas se enamoravam. 
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; A tarde ia derrubando gotas de orvalho nas costas das folhas. Tinha alguma can&#231;&#227;o. Minto, nesta altura eram a can&#231;&#227;o.</description>
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	<item rdf:about="http://caldadeamoras.blog.terra.com.br/corpo_de_caneta">
		<title>Corpo de Caneta</title>
		<link>http://caldadeamoras.blog.terra.com.br/corpo_de_caneta</link>
		<dc:date>18.06.07</dc:date>
		<dc:creator>srbazetti</dc:creator>
		<dc:subject></dc:subject>
		<description>Corpo de Caneta. 
&#160;&#160;&#160;&#160; Quando menos esperava tocava nela. Trazia seu corpo para junto de seus dedos. Fina, desenhada, elegante, s&#233;ria at&#233; que acariciada. N&#227;o acordava-a de madrugada para manterem di&#225;logos, mas em algumas noites isso era inusitado. Nem dormiam. 
&#160;&#160;&#160;&#160; Sua sabedoria era impressionante. Sempre que requisitada agia ponderadamente, mas se tomada de sobressalto era de grande dificuldade controlar o volume &#8211; da voz, do sorriso, da dose menos homeop&#225;tica sobre o alheio. 
&#160;&#160;&#160;&#160; Dotada de um f&#237;sico totalmente gracioso sentia-se bem em cometer pequenos flagelos em sua estima, em sua intelig&#234;ncia, em sua seguran&#231;a. Estimava em si, ou estimaria que os outros encontrassem nela um esp&#237;rito c&#225;ustico. Mas mesmo no auge da sua ironia e acidez, era doce e isso, mesmo que n&#227;o percebesse t&#227;o claramente era o seu trunfo.&#160; 
&#160;&#160;&#160; Devia deixar a Fran&#231;a pela Espanha, ir de trem at&#233; Marselha, corresponder-se com Gaudi e beijar-se com Camille Claudel. N&#227;o que a sua constru&#231;&#227;o fosse uma desconstru&#231;&#227;o. &#201; que sempre vivia esse embora-voltar. E isso dava aos seus quadris um expressionismo moderno, mas com curvas do barroco cl&#225;ssico. 
&#160;&#160;&#160;&#160; Ele juntou-se ao c&#237;rculo de seus admiradores. Desejava ser mais admirador do que os outros, desta forma tamb&#233;m seria admirado por ela. Ficava embara&#231;ado por sua tinta fresca, seu excesso de sentido, de hiper-sensibilidade. Tatuagem, estigma, marca, sinal, seu corpo era um corpo feminino. E essa f&#234;mea era a loucura dele, o seu sanat&#243;rio, a sua embriaguez. A sua santa endemoninhada perdi&#231;&#227;o. 
&#160;&#160;&#160;&#160; Isto dela estar l&#225; e ele estar aqui incitava um emaranhado que talvez virasse novelo para uma manta que mantivesse quente para a eternidade aquele bom prato de sopa que tomaram juntos.</description>
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	<item rdf:about="http://caldadeamoras.blog.terra.com.br/rios">
		<title>Rios</title>
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		<dc:date>18.06.07</dc:date>
		<dc:creator>srbazetti</dc:creator>
		<dc:subject></dc:subject>
		<description>Rios. 
Os rios, os nossos rios est&#227;o estressados. Esses que correm fora de n&#243;s e esses que correm dentro de n&#243;s. A pergunta &#233;, que curso estamos tomando? E j&#225; n&#227;o temos resposta para isso. Temos que achar as plan&#237;cies de decanta&#231;&#227;o. Sander Machado e Bledow.</description>
	</item>
	<item rdf:about="http://caldadeamoras.blog.terra.com.br/expectativa">
		<title>Expectativa</title>
		<link>http://caldadeamoras.blog.terra.com.br/expectativa</link>
		<dc:date>26.05.07</dc:date>
		<dc:creator>srbazetti</dc:creator>
		<dc:subject></dc:subject>
		<description>&#160;&#160; Expectativa
&#160;&#160; Ent&#227;o veio com aquela gra&#231;a, sua beleza um avi&#227;o. 
&#160;&#160; Desceu temendo o que era, o que &#233; e o que poderia vir a ser. Animou-se quando pode v&#234;-lo. Ele estava l&#225; e isso antes de ser um bom ou um mau sinal era um acontecimento. Sempre &#233; melhor lidar com o real do que com o imagin&#225;rio. 
&#160;&#160; O que &#233; a expectativa se n&#227;o o recordar de algo que foi um bem passado e que pode se repetir e voltar a ser um bem novamente presente? Estava ali a recorda&#231;&#227;o do &#250;ltimo beijo e os pr&#243;ximos que poderiam ser muito melhores, estava ali o passado do cheiro que dan&#231;ava sobre o quarto e que poderia bailar com muito mais harmonia, estava ali o passado dos corpos se tocando, transpirando, se alimentando e que poderiam jantar-se, almo&#231;ar-se e tomar caf&#233; como em um banquete. 
&#160;&#160; Ela estava ali e ele estava ali. Estavam os dois com suas expectativas &#224;s 3 horas da manh&#227; de um v&#244;o atrasado, mas que enfim tinha chegado.</description>
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		<dc:date>18.06.07</dc:date>
		<dc:creator>srbazetti</dc:creator>
		<dc:subject>Artes</dc:subject>
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&#160;&#160;&#160;&#160; Todas as noites ela pedia um escrito para ele. Um escrito que falasse da sua pele. Um escrito que dissesse da sua intimidade. Um escrito para sempre, com todo amor. Um escrito plantado, incorporado. Um escrito feito das horas de seu De-vir. 
&#160;&#160;&#160;&#160; V&#225;rias vezes ensaiou aqueles ensaios. Nunca os concluiu. 
&#160;&#160;&#160;&#160; As palavras que iam saindo no papel n&#227;o compunham nem um resqu&#237;cio das horas que passavam debaixo dos len&#231;&#243;is. Para cada vir l&#225; estava ele ancioso para o pr&#243;ximo De-vir.</description>
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&#160;&#160;&#160;&#160; Quando nos damos por conta aquele gr&#227;o de areia se p&#245;e a nos incomodar. Um incomodar cheio de prazer. De bobagens que v&#227;o saindo pela boca como as mais verdadeiras declara&#231;&#245;es. Bobagens que nos tornam fr&#225;geis, vulner&#225;veis, sedentos de uma bebida que s&#243; aquele outro, nenhum outro, saciar&#225; a nossa sede. Porque o prazer num corpo em solid&#227;o ao iniciar &#233; o abismal. 
&#160;&#160;&#160;&#160; Mesmo que a luz se apague aquela claridade vai ficando ali, mesmo que os olhos se entreguem para essa morte tempor&#225;ria que &#233; o sono, o sonho mant&#233;m esse universo encantado ali. Mesmo que Descartes diga que n&#227;o, o sentir vai se instalando ali. 
&#160;&#160;&#160;&#160; A p&#233;rola vai se formando. Aquela riqueza que &#233; constru&#237;da de muita sutileza, de uma beleza vis&#237;vel e invis&#237;vel, de portas que falam e de outras que se calam. Uma hortel&#227;, um chocolate quente, um caf&#233; e uma janta. Uma janta muito simples de verduras, um p&#227;o muito singular como o &#225;rabe, um beijo muito doce. Ainda n&#227;o haveria de ter o sexo, s&#243; a forma mais primitiva de prazer que &#233; proteger e se sentir protegido. 
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; N&#227;o era necess&#225;rio nenhum enfeite, porque se fazia no sorriso, no gracejo, no pequeno dedo que caminha sobre os l&#225;bios. Queremos tantas confiss&#245;es. Quando as confiss&#245;es nunca se abrandam. Ficam brincando como luzes de farol num fazer e desfazer. Dever&#237;amos querer menos, assim quem sabe ter&#237;amos tempo para perceber mais. Angustia-me ver muito pouco com olhos t&#227;o perfeitos. Talvez seja uma ang&#250;stia coletiva. Seja a tua tamb&#233;m e dos outros que vir&#227;o para nos suceder. &#201; necess&#225;ria urgentemente uma alfabetiza&#231;&#227;o para o olhar. 
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; As p&#233;rolas de melhor qualidade encontram-se no Golfo P&#233;rsico, na &#205;ndia e Sri Lanka, na Austr&#225;lia e na Am&#233;rica Central e as p&#233;rolas cultivadas s&#227;o produzidas em larga escala no Jap&#227;o. Mas desta p&#233;rola que falo, nasce quando o chocolate vai de uma boca at&#233; a outra, quando &#233; poss&#237;vel que os cobertores caiam e mesmo assim o calor permane&#231;a. Essa p&#233;rola que me refiro &#233; a que se inscreve no corpo, nos corpos. Na felicidade que pode ser produzida em n&#243;s apenas produzindo felicidade no outro. N&#227;o requer mais explica&#231;&#227;o da p&#233;rola que me refiro, mas insisto que essa p&#233;rola n&#227;o se torna cara pela sua qualidade, mas pelos enormes sacrif&#237;cios que s&#227;o infligidos entre o caminho que h&#225; em se ir abandonando o medo para se viver &#224; veracidade do contido. 
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; A p&#233;rola pode ser usada em &#34;po&#231;&#245;es&#34; do amor e os s&#233;culos trar&#227;o para o presente o passado que estava dormindo. Porque nada na p&#233;rola ficar&#225; vulgar. A inoc&#234;ncia protege a pureza e n&#227;o &#233; o que se faz que nos torna prosaicos, mas sim o agir sem natureza. 
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Creme, dourada, verde, azul e negra. 
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Nada mais naquela pele. Tudo naquela cor que se despregui&#231;ava. Naquela mala que tantas vezes foi feita e desfeita. Naquele dia que namoraram e que mais uma vez namoraram e que quando pensavam ter cansado de namorar &#233; que pod&#237;am ver o quanto suas p&#233;rolas se enamoravam. 
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; A tarde ia derrubando gotas de orvalho nas costas das folhas. Tinha alguma can&#231;&#227;o. Minto, nesta altura eram a can&#231;&#227;o.</description>
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		<title>Corpo de Caneta</title>
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&#160;&#160;&#160;&#160; Quando menos esperava tocava nela. Trazia seu corpo para junto de seus dedos. Fina, desenhada, elegante, s&#233;ria at&#233; que acariciada. N&#227;o acordava-a de madrugada para manterem di&#225;logos, mas em algumas noites isso era inusitado. Nem dormiam. 
&#160;&#160;&#160;&#160; Sua sabedoria era impressionante. Sempre que requisitada agia ponderadamente, mas se tomada de sobressalto era de grande dificuldade controlar o volume &#8211; da voz, do sorriso, da dose menos homeop&#225;tica sobre o alheio. 
&#160;&#160;&#160;&#160; Dotada de um f&#237;sico totalmente gracioso sentia-se bem em cometer pequenos flagelos em sua estima, em sua intelig&#234;ncia, em sua seguran&#231;a. Estimava em si, ou estimaria que os outros encontrassem nela um esp&#237;rito c&#225;ustico. Mas mesmo no auge da sua ironia e acidez, era doce e isso, mesmo que n&#227;o percebesse t&#227;o claramente era o seu trunfo.&#160; 
&#160;&#160;&#160; Devia deixar a Fran&#231;a pela Espanha, ir de trem at&#233; Marselha, corresponder-se com Gaudi e beijar-se com Camille Claudel. N&#227;o que a sua constru&#231;&#227;o fosse uma desconstru&#231;&#227;o. &#201; que sempre vivia esse embora-voltar. E isso dava aos seus quadris um expressionismo moderno, mas com curvas do barroco cl&#225;ssico. 
&#160;&#160;&#160;&#160; Ele juntou-se ao c&#237;rculo de seus admiradores. Desejava ser mais admirador do que os outros, desta forma tamb&#233;m seria admirado por ela. Ficava embara&#231;ado por sua tinta fresca, seu excesso de sentido, de hiper-sensibilidade. Tatuagem, estigma, marca, sinal, seu corpo era um corpo feminino. E essa f&#234;mea era a loucura dele, o seu sanat&#243;rio, a sua embriaguez. A sua santa endemoninhada perdi&#231;&#227;o. 
&#160;&#160;&#160;&#160; Isto dela estar l&#225; e ele estar aqui incitava um emaranhado que talvez virasse novelo para uma manta que mantivesse quente para a eternidade aquele bom prato de sopa que tomaram juntos.</description>
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Os rios, os nossos rios est&#227;o estressados. Esses que correm fora de n&#243;s e esses que correm dentro de n&#243;s. A pergunta &#233;, que curso estamos tomando? E j&#225; n&#227;o temos resposta para isso. Temos que achar as plan&#237;cies de decanta&#231;&#227;o. Sander Machado e Bledow.</description>
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&#160;&#160; Ent&#227;o veio com aquela gra&#231;a, sua beleza um avi&#227;o. 
&#160;&#160; Desceu temendo o que era, o que &#233; e o que poderia vir a ser. Animou-se quando pode v&#234;-lo. Ele estava l&#225; e isso antes de ser um bom ou um mau sinal era um acontecimento. Sempre &#233; melhor lidar com o real do que com o imagin&#225;rio. 
&#160;&#160; O que &#233; a expectativa se n&#227;o o recordar de algo que foi um bem passado e que pode se repetir e voltar a ser um bem novamente presente? Estava ali a recorda&#231;&#227;o do &#250;ltimo beijo e os pr&#243;ximos que poderiam ser muito melhores, estava ali o passado do cheiro que dan&#231;ava sobre o quarto e que poderia bailar com muito mais harmonia, estava ali o passado dos corpos se tocando, transpirando, se alimentando e que poderiam jantar-se, almo&#231;ar-se e tomar caf&#233; como em um banquete. 
&#160;&#160; Ela estava ali e ele estava ali. Estavam os dois com suas expectativas &#224;s 3 horas da manh&#227; de um v&#244;o atrasado, mas que enfim tinha chegado.</description>
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